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sexta-feira, 13 de abril de 2012
Um sobre esse sentimento novo
Cerro meus olhos involuntariamente. O piscar se tornou um processo lento hoje. Estou traçando uma ilustração mental do celeste céu que se apresenta a mim. Todas as manhãs vejo estrelas. Todas as tardes a lua impera de maneira singular. A noite não é mais escura e o dia não mais de excessivo calor. O mar adquiriu outro significado. Distância deixou de ser medida em metros. Cada segundo se tornou quilômetros. Descobri que nos olhos se encontram os mais profundos labirintos, e que é gostoso me perder neles. Descobri que calor sentimos de dentro para fora, e não o contrário. Senti minutos horários de devaneios tornarem-se um épico embate virtual, cujo resultado se converge à própria existência. Nunca houve alguém que entendesse esse pulsar descompassado. São enigmas trazidos por esse novo ser, que em seu determinado tempo decidiu não caber mais no peito. Sim, é a nostalgia de tempos que não foram. A saudade de momentos que não tivemos. Agora sim, finalmente minhas pálpebras se erguem lentamente, arquitetando a próxima piscadela, e com ela minha passagem de volta ao interior desse sentimento, até então, desconhecido. (R)
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
Mãe
Folhas secas, galhos secos, tons de dourado burrifados por toda a planicie. Ao derredor o horizonte se mostra cada vez mais perto. Arterias e veias traçam em alto relevo um retrato do tempo na pele cada vez mais fina de mãos tão queridas. Pequenas manchas nos guiam nas esguías estradas da memória, e nos mostram com clareza retratos aveludados do fraco que um dia foi forte. Não há piedade no tempo, não há misericórdia, tirando lentamente os segundos que jamais dará de volta. Um sorriso, e num lapso retorno para mergulha nos olhares de amor do presente. Seus lábios se movem lentamente, sem pressa, e longe ouço risadas que sem saber acompanho no ritmo. Seus braços me envolvem e só desperto para sentir o beijo que molha minha bochecha. Outro olhar e navego de volta ao passado. Ela era forte, alta, tão rápida. Tinha sempre uma solução para tudo. Mais palavras, e os lábios continuam dançando num ritmo desconhecido. Em mim um desejo de parar o tempo, desejo que nada faz a não ser derreter de meus olhos, e me lembrar que nada pode contra o tempo. Se é assim, que seja, afinal, um dia terei as mesmas tatuagens nas mãos, e minhas manchas serão guias para outrém. E, quando se for, certamente velejarei no mesmo barco, e nos encontraremos numa terra onde o tempo nada será senão lembrança.
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